domingo, 21 de outubro de 2018

Sempre, ela


Sempre, ela



Refrão
pulmão da próxima rima
do verso-canção

Tu
a mãe de todos amores
a vasta guia
de todos fervores
de nós

Tu
a deusa
a espera

esfera do sangue
e da voz


Eliana Mora, 18/10/2018

quinta-feira, 18 de outubro de 2018

Desassossego em gotas


Desassossego em gotas



Pode ser servido
até no café da manhã,.,.,.
E quem duvida?

[Mais informações
na gerência do poema]





Eliana Mora, 18/10/2018

quarta-feira, 26 de setembro de 2018

Roteiro Variado


Roteiro variado



Ali
onde todos os sapatos se perderam
e foram ficando apenas os chinelos
as esperas
e todos os novos mandamentos
de aprender

Ali
onde escorregaram pés desavisados
bancaram doidos e saíram machucados
sem ter como gritar
e se perder

Ali
onde se recolhem cacos de um passado
em que tudo nos dizia
para só brincar
é que se foi aprender a vida real

para nunca decifrar

e por vezes 

sem lamento
sentir pura suavidade


[e encantamento]





Eliana Mora,  7/junho/2018

sexta-feira, 14 de setembro de 2018

P e d i d o


P e d i d o 



Olha para mim
[sei que cresci]
mas não deixa de procurar a menina
aquela que se esconde no meu olho
aquela que guardo
inteira
dentro de mim
.
Esquece o efêmero.
.
O que (re) cobre tudo é massa de moldar
trans/formada pelo tempo.




Eliana Mora, 04/04/2011

quarta-feira, 5 de setembro de 2018

Narciso e a xícara de chá



Narciso e a xícara de chá




Olhava para a xícara de chá
em minhas mãos
senti um delicado odor de folha
cheguei a me assustar
com a face que estava ali
a me olhar



como se minha face
[meio Narciso às avessas]

só se visse com meu rosto
em seu lugar



Eliana Mora, sem data

[Baú]

terça-feira, 28 de agosto de 2018

Um jeito meio de mim


Um jeito meio de mim



As letras do meu alfabeto
se olham assim meio lentas
desenham um som no percurso
escondem o verso e o discurso

As letras do meu alfabeto
são livres até certo ponto
desenham nos vãos das escadas
se perdem nos grãos das estradas

Se vestem de festa em todos

os dias

Recebem da vida 
desterro 

e agonia       

Entregam à vida amor 

e Poesia



Eliana Mora, 08 de agosto de 2018

sexta-feira, 17 de agosto de 2018

Recado preciso



Recado preciso



Em torno de mim
o laço.

De roda em roda
chego em algum pedaço
de luar


Pode ser assim
que lá
acabe por ficar.

Porque afinal
é tudo o que meu ser

exige




Eliana Mora, 16/8/2018

segunda-feira, 13 de agosto de 2018

Favo do Inconsciente


Favo do Inconsciente 



A casa dos meus sentimentos se parece 

com aquela morada de abelhas 
muitos buracos juntos 
uns dos outros 
sem que se possa mesmo distinguir porque 
ou quando 
cada um deles foi-se abrindo 
[ou se juntando]
e construiu um quebra-cabeças 
quase inviolável 
.
 colado no mel 

.


©Eliana Mora - 1999

Art_Louis Seraphine 

sábado, 4 de agosto de 2018

Barreira do Som


Barreira do Som



Como é difícil
a gente se cortar em partes
e rotular cada uma com algo como
de uso diário
cuidado - é frágil
silêncio
e tantos outros avisos
que quase nunca
ou jamais
serão ouvidos

[e muito,
muito menos,
atendidos]




Eliana Mora, julho/2018

sábado, 21 de julho de 2018

Gotas e lâminas cortam sentimentos


Gotas e lâminas cortam sentimentos



São gotas ou são lâminas?


escorrem do meu rosto a me marcar a pele
antiga porcelana
são pedras alfinetes tempestades
desabam sem mais se segurar em nada
lâminas
navalhas que me cortam
e não enxergo muito bem
como se a enchente fosse agora eu mesma
rumo a um destino nem pensado

[e a vida se resume a um só dia?]

como gotas diluídas pelo chão
sou pedaços de verbos
rimas não usadas
mar aquele mar da descoberta
que no princípio faz que tem a data certa
mas chega sem aviso
e estraçalha a pedra e o pó

não sei do tempo

travesti-me de horas liqüefeitas
que escorrem uma a uma nos relógios do mundo
todos até me olham quando em vez
porém eu mesma
não me vejo pronta

ando dividida e costurada
pano de retalho preso n'alma ardente
solo interno a ladrilhar esperas
pela luz brilhante luz


da madrugada




Eliana Mora, 29/11/2006

[Baú]

quarta-feira, 18 de julho de 2018

Achados e perdidos


Achados e Perdidos



Naquele livro

sabia que a lembrança era de ti.

Tua letra torta

teu amor selvagem
tua alma morta
com desejos e sentires infantis.

Um sonho imenso

- que pouco durou.

E o livro foi só o que ficou.

[ainda bem]



Eliana Mora, 03/7/2018

sexta-feira, 13 de julho de 2018

Se vivo, sou apenas eu


Se vivo, sou apenas eu



Escrevo a marca
escrevo o tema
a faca que está ali
a me cortar
a brisa que me abraça
a refrescar
escrevo
sou muitas almas
nem sempre fáceis de conhecer
[ou recordar]

Sou aquela que não sei
quem sou
[no estilo Fernando Pessoa]
aquela que cansou de tanta coisa
mas sabe que de uma
jamais se cansará

A alma e a vida da Poesia
alimento antigo
de um ser que vive
em mim


[e sempre viverá]




Eliana Mora, 8/9/2017

terça-feira, 5 de junho de 2018

Sem negociação


Sem negociação



A vida que surtou
o tempo que passou
por entre os dedos
a massa que estragou
a força de querer que disse não
não vou
o fim de muitas eras
que chegou

[e o que sobrou de nós?]



Eliana Mora, maio/2018