segunda-feira, 13 de agosto de 2018

Favo do Inconsciente



Favo do Inconsciente 



A casa dos meus sentimentos se parece 

com aquela morada de abelhas 
muitos buracos juntos 
uns dos outros 
sem que se possa mesmo distinguir porque 
ou quando 
cada um deles foi-se abrindo 
[ou se juntando]
e construiu um quebra-cabeças 
quase inviolável 
. colado no mel 

.


©Eliana Mora - 1999

Baú_Art_Paul Klee


sábado, 4 de agosto de 2018

Barreira do Som


Barreira do Som



Como é difícil
a gente se cortar em partes
e rotular cada uma com algo como
de uso diário
cuidado - é frágil
silêncio
e tantos outros avisos
que quase nunca
ou jamais
serão ouvidos

[e muito,
muito menos,
atendidos]




Eliana Mora, julho/2018

sábado, 21 de julho de 2018

Gotas e lâminas cortam sentimentos


Gotas e lâminas cortam sentimentos



São gotas ou são lâminas?


escorrem do meu rosto a me marcar a pele
antiga porcelana
são pedras alfinetes tempestades
desabam sem mais se segurar em nada
lâminas
navalhas que me cortam
e não enxergo muito bem
como se a enchente fosse agora eu mesma
rumo a um destino nem pensado

[e a vida se resume a um só dia?]

como gotas diluídas pelo chão
sou pedaços de verbos
rimas não usadas
mar aquele mar da descoberta
que no princípio faz que tem a data certa
mas chega sem aviso
e estraçalha a pedra e o pó

não sei do tempo

travesti-me de horas liqüefeitas
que escorrem uma a uma nos relógios do mundo
todos até me olham quando em vez
porém eu mesma
não me vejo pronta

ando dividida e costurada
pano de retalho preso n'alma ardente
solo interno a ladrilhar esperas
pela luz brilhante luz


da madrugada




Eliana Mora, 29/11/2006

[Baú]

quarta-feira, 18 de julho de 2018

Achados e perdidos


Achados e Perdidos



Naquele livro

sabia que a lembrança era de ti.

Tua letra torta

teu amor selvagem
tua alma morta
com desejos e sentires infantis.

Um sonho imenso

- que pouco durou.

E o livro foi só o que ficou.

[ainda bem]



Eliana Mora, 03/7/2018

sexta-feira, 13 de julho de 2018

Se vivo, sou apenas eu


Se vivo, sou apenas eu



Escrevo a marca
escrevo o tema
a faca que está ali
a me cortar
a brisa que me abraça
a refrescar
escrevo
sou muitas almas
nem sempre fáceis de conhecer
[ou recordar]

Sou aquela que não sei
quem sou
[no estilo Fernando Pessoa]
aquela que cansou de tanta coisa
mas sabe que de uma
jamais se cansará

A alma e a vida da Poesia
alimento antigo
de um ser que vive
em mim


[e sempre viverá]




Eliana Mora, 8/9/2017

terça-feira, 5 de junho de 2018

Sem negociação


Sem negociação



A vida que surtou
o tempo que passou
por entre os dedos
a massa que estragou
a força de querer que disse não
não vou
o fim de muitas eras
que chegou

[e o que sobrou de nós?]



Eliana Mora, maio/2018

terça-feira, 29 de maio de 2018

Momento de magia


Momento de magia



O manto de beleza cobriu
meus pensamentos
e ainda parada 
aqui
releio apenas sentimentos
como se as palavras tivessem sumido...


Relembro cantos
suaves 

distantes
que vêm bem devagar
quase a iluminar


toda a alma




Eliana Mora, 28/5/2018

domingo, 27 de maio de 2018



Resposta voadora


Ansiedade domina
enquanto alguns papéis você examina
e pensa logo:
.
como dar um jeito de voar?



Eliana Mora, El, 27/5/18

segunda-feira, 23 de abril de 2018

Poema de um amor Imaginário


Poema de um amor imaginário 

.
___*
Chegaste
como quem desce do céu
corpo de bailarino
aura de menino
[nua
a resplender em torno a ti 
qual dança leve

chegaste
a iluminada escada em caracol estava ali
na minha frente
e tu andavas, calmo
em direção a mim

e de repente o ambiente transformou-se em palco 
de ternura
teus longos braços estendidos escreviam 
a mais bela partitura
.
[e duvidei viva estar
.
caminhei para esta onda que se abria
entrei sem medo nela
como se jamais imaginasse outra morada
nem temesse o mar
.
e o chão tornou-se tela
doce eterna
afresco retirado de capela
banho de sais
algodão doce
luar
.
e num instante percebi que no tal sonho ia ficar
e me perpetuei naquela imagem
abraçada a ti 
ó deus do Céu
dos palcos e do mar
.
para renascer em outro espaço
sem nenhuma dor
e sem nenhum cansaço
.
apenas a sentir_o que é amar.

.
______*
Eliana Mora, 14/05/2007 

terça-feira, 17 de abril de 2018


A Nave perfeita



Ali
na montanha mais alta
ela pousou
quase um 'quê' de filme
algo que já está em nosso imaginário
despertou


Ali
a nave
e eu a olhá-la
sem saber como não fantasiar
imaginar

O que me olhava?

Mas vi.
Era um homem
que se mostrou para mim
em sua beleza atômica
vasto cabelo castanho
olhar delicado

pele suave
lábios bem desenhados...

Esqueci de tudo
voamos para onde não sei
então vi
apenas um salão de baile
aceitei esse par meio invisível
que me abraçou
dançamos
[nunca mais imaginara dançar assim]


Renasci ali 
naquela nave
junto com o nascimento

de um amor



Eliana Mora, abril/2018

domingo, 15 de abril de 2018

Uma definição conhecida


Uma definição conhecida


A vida vem
bate 

acaricia
machuca
alivia


É a dona.


Somos

[apenas] locatários




Eliana Mora, abril/2018

quinta-feira, 12 de abril de 2018

Comissários de Bordo


Comissários de Bordo


Espalhados pelos cantos
meus sonhos sobrevivem
insistentes

eles sabem o peso que têm
na carga de esperança que carrego

dentro em mim




Eliana Mora, 03/07/2016

sábado, 31 de março de 2018

Visão da Realidade


Visão da realidade



Por debaixo de todos os véus
das sedas e cetins
dos panos transparentes
vive [ou morre]
a cada dia
o amor que se tem
pela própria pessoa
pode ser mais doce
pode mesmo sumir
ou se esconder
Porque ali 

no mundo em que ela existe
o espaço apequenou-se
e para caber ali
naquele lugar tão ínfimo
a obra se espreme
reluta
até luta por deixar o gigante
aparecer
Mas acaba por cair no inferno 

mais profundo
onde só é um grão

E ali
não cabe quase nada

ainda que quisesse

[onde estou?]




Eliana Mora, março/2018