sábado, 18 de fevereiro de 2017

Resposta ao Tempo



Resposta ao Tempo
  

O tempo pára aqui no vácuo dos meus braços
a pedir colo

e eu
como qualquer mulher que tenha dado à luz
respondo  sim
porque aqui 
não há como negar afeto assim 
a/feto

E a história o adormece

[v o l á t i l]



©Eliana Mora, 30/05/2008
[Baú]

Pequena confissão


Pequena confissão



Se fosses a Noite
te abraçaria
num instante bem longo
faria a noite alongar-se  a i n d a  mais

para só então
entregar-me

a ti




Eliana Mora, 11/02/2017

domingo, 12 de fevereiro de 2017

Favo do Inconsciente


Favo do Inconsciente 



A casa dos meus sentimentos se parece 
com aquela morada de abelhas 
muitos buracos juntos 
uns dos outros 
sem que se possa mesmo distinguir porque 
ou quando 
cada um deles foi-se abrindo 
[ou se juntando]
e construiu um quebra-cabeças 
quase inviolável 


colado no mel 





©Eliana Mora - 1999

[Baú]

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

O Corpo [III]


O Corpo [III]


Se agora dormes
distante estou sonhos lacrados

Desperta para a vida que ressona em ti
[onde não tenho espaço]
visualizo abraço
como a tocar a pele do teu corpo 

que suave certeza tenho 
ainda é

Aos poucos os delírios acordada sinto
como se fácil fosse gritar 
e teu instinto despertar sem medo

Aponto a janela com meus dedos
atrás dela tudo vibra sente vive
podias ser um anjo ou pássaro a voar por ela
e de repente 

asas encostar em mim
ainda que estivesses transparente qual fumaça
teu peso sentiria


Aqui
orquídeas dormem

a te esperar



Eliana Mora, 06/04/2008

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Território ocupado



Território ocupado




País de mim
em que me encontro
e que me quer

Performance solo
até um tempo

qualquer



Eliana Mora, 05/02/2017

sábado, 4 de fevereiro de 2017

Lavrador da palavra



lavrador da palavra



ali
acima
no alto do morro das sutilezas
os cantos de guerra
pairam

e tu
não os compra
passas somente a revelar-se 

a eles
como brisa da manhã



[antes do plantio]



Eliana Mora, 04/02/2017

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Notas para um som em terra firme


Notas para um som sem terra firme



Instrumento mudo
eu
deusa das imagens e poemas
transfiro o sentimento que tardava
deporto com ele minha dor

e dos pedaços de uma história
sem pouso e sem final
teço as notas para um som sem terra firme
a sonata do não pertencer

em cestas de vidro os frutos do deserto
nas ânforas o vinho do meu sangue.

lambuzo-me sozinha
um fio rubro a escorrer no canto
dos meus lábios

nos últimos acordes
a tênue sensação

de que [ainda] me frutificaria.


Eliana Mora, 31/1/2012

domingo, 29 de janeiro de 2017

Um dado fundamental


Um dado fundamental



A rota
demarca
a seta
indica
a reta
até facilita


Mas...

o que está dentro das veias
é o que vai importar

E isso...

não se explica.



Eliana Mora, 28/01/2017

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Ele nasce de um amor desconhecido


Ele nasce de um amor desconhecido



Quase indestrutível
intradérmico
intravenoso 

o poema dorme em feitios sagrados de noites 
e de dias túrgidos
qual mucosa de mulher apaixonada
uma placenta

Nas diferentes conchas detentoras de sentidos 
e de sabores e ruídos
forma-se
cresce

O poema fala


[antes de nascer]



Eliana Mora, 05/5/2010

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Ao apagar da luz - o velho canto


Ao apagar da luz - o velho canto




Depois de tudo
o teclado
o poema

o som de lágrimas e notas
a se espalhar por ali
onde ela chama 

poucas letras de um só nome

um nome cálido

pálida pérola a dançar
nos anéis de sua boca
assim
num pleito de ventura
num tênue lastro
de canção

em dias
e noites
desejos se espalham 

em plena luz do quarto

rosa lírica a pousar
no vão da obra

de Arte





Eliana Mora, 23/01/2017

domingo, 22 de janeiro de 2017

Sabor Crepuscular


Sabor Crepuscular

 

Dessa lembrança dá-me um corpo
e um poema
suave odor colorido
uma bruma e cegueira aos meus sentidos
um cansaço e uma febre assim
no início
de aparência e sabor crepuscular

dá-me do rio a margem
onde posso ainda imaginar algumas trilhas
contenção de águas
sombras a crescer em vias soltas
frondosas úmidas
suaves

dá-me o sabor de enlouquecer
de nada mais querer saber



[e não me acorde mais]



 
Eliana Mora, 07/05/2009

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Desencanto guardado



Desencanto guardado



Instantes
quadrantes
siglas da voz

pedaços de nós mesmos
aqui
dentro da garganta
a acumular funções

a relegar
risos
sisos
e tantas canções



[a um plano igual]




Eliana Mora, 16/01/2017

domingo, 15 de janeiro de 2017

Em Desencontro



Em desencontro




Pensando aqui...
por acaso aumentam nossas chances
em cada por de sol?

Ou diminuem
somente as ricas rimas
de que supomos
ser donos?

Nem um, nem outro.

Pode ser que apenas estejam
todas a dormir

[com nossas esperanças]




Eliana Mora, 14/01/2017