segunda-feira, 23 de abril de 2018

Poema de um amor Imaginário


Poema de um amor imaginário 

.
___*
Chegaste
como quem desce do céu
corpo de bailarino
aura de menino
[nua
a resplender em torno a ti 
qual dança leve

chegaste
a iluminada escada em caracol estava ali
na minha frente
e tu andavas, calmo
em direção a mim

e de repente o ambiente transformou-se em palco 
de ternura
teus longos braços estendidos escreviam 
a mais bela partitura
.
[e duvidei viva estar
.
caminhei para esta onda que se abria
entrei sem medo nela
como se jamais imaginasse outra morada
nem temesse o mar
.
e o chão tornou-se tela
doce eterna
afresco retirado de capela
banho de sais
algodão doce
luar
.
e num instante percebi que no tal sonho ia ficar
e me perpetuei naquela imagem
abraçada a ti 
ó deus do Céu
dos palcos e do mar
.
para renascer em outro espaço
sem nenhuma dor
e sem nenhum cansaço
.
apenas a sentir_o que é amar.

.
______*
Eliana Mora, 14/05/2007 

terça-feira, 17 de abril de 2018


A Nave perfeita



Ali
na montanha mais alta
ela pousou
quase um 'quê' de filme
algo que já está em nosso imaginário
despertou


Ali
a nave
e eu a olhá-la
sem saber como não fantasiar
imaginar

O que me olhava?

Mas vi.
Era um homem
que se mostrou para mim
em sua beleza atômica
vasto cabelo castanho
olhar delicado

pele suave
lábios bem desenhados...

Esqueci de tudo
voamos para onde não sei
então vi
apenas um salão de baile
aceitei esse par meio invisível
que me abraçou
dançamos
[nunca mais imaginara dançar assim]


Renasci ali 
naquela nave
junto com o nascimento

de um amor



Eliana Mora, abril/2018

domingo, 15 de abril de 2018

Uma definição conhecida


Uma definição conhecida


A vida vem
bate 

acaricia
machuca
alivia


É a dona.


Somos

[apenas] locatários




Eliana Mora, abril/2018

quinta-feira, 12 de abril de 2018

Comissários de Bordo


Comissários de Bordo


Espalhados pelos cantos
meus sonhos sobrevivem
insistentes

eles sabem o peso que têm
na carga de esperança que carrego

dentro em mim




Eliana Mora, 03/07/2016

sábado, 31 de março de 2018

Visão da Realidade


Visão da realidade



Por debaixo de todos os véus
das sedas e cetins
dos panos transparentes
vive [ou morre]
a cada dia
o amor que se tem
pela própria pessoa
pode ser mais doce
pode mesmo sumir
ou se esconder
Porque ali 

no mundo em que ela existe
o espaço apequenou-se
e para caber ali
naquele lugar tão ínfimo
a obra se espreme
reluta
até luta por deixar o gigante
aparecer
Mas acaba por cair no inferno 

mais profundo
onde só é um grão

E ali
não cabe quase nada

ainda que quisesse

[onde estou?]




Eliana Mora, março/2018

sexta-feira, 30 de março de 2018

Contraste


Contraste



negro gato
branca de neve
símbolos
lembranças
desejos e heranças
e teu ser
a desejar apenas
uma voz
um gesto
carinhos num olhar

sim
mudamos nós
os signos modificam
sentimentos vão se construindo
a partir de nós
e a vida segue ali
ao largo

enquanto [ainda]

respiras



Eliana Mora, março/2018

domingo, 4 de março de 2018

Jogo de Cena


Jogo de Cena


A sombra gritou
fez um tremendo escarcéu
parecia ser de alguém
brilhava no alto
de maneira especial

mas era de qualquer um
porque sumiu no mapa
das visões aleatórias

[e fiquei sem saber]




Eliana Mora, fevereiro/2018

Para um pouco além de todas as linhas [e dos sentimentos]



Para um pouco além de todas as linhas
[e dos sentimentos]




Não dá para conter em si toda beleza
a grandeza de certas coisas 

mas agora estar ali
[ou ao menos recordar]
aquilo que fez sentido
nem tenhas dúvida
acabará por tomar formas únicas
aleatórias
meio místicas
que estão em mim

e irão inundar o pensamento
como que a transformar

tudo ao redor

Olhar interno
mote de poema
casa de amor que vale a pena

vida 

para guardar



Eliana Mora, 7/02/2018

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

Mais uma árvore


Mais uma árvore



Essa raiz que me pertence
ou era minha
de alguma forma cairá ali 

adiante

forte então
poderei por certo lentamente
voltar a conhecer os sentimentos
mais reais
[do que era eu]

enraizada em mim
tão profundamente
essa raiz foi retirada
do meu ser
assim
com muito pouca singeleza

sem que ninguém conseguisse
perceber
ou entender

porquê




Eliana Mora, 03/02/2018

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

O que se tem e o que se quer


O que se tem e o que se quer



Em dias assim
jamais pediria eu para entender
ou para que alguém me explicasse
ao contrário
ficaria a esperar por uma onda
de melhora
de céus e mares azuis e verdes
logo ali depois de uma janela
e eles me surpreenderiam
me arrastariam
sóis e luas a cobrir meu corpo
enquanto era assim levada
sonhos a se misturar
com alguma boa realidade
e somente isso sairia agora
do meu pensamento
para virar brinquedo de boneca

[afinal, porque brincar não posso?]




Eliana Mora, 25/02/2018

sábado, 10 de fevereiro de 2018

O mínimo ato


O mínimo ato 


conta
bole
mexe
espanta
encanta

o ato mínimo
o salto

o abraço




Eliana Mora, fevereiro de 2018

sábado, 3 de fevereiro de 2018

A escolha que nos cabe


A escolha que nos cabe



viver
ou apenas acordar
sentar
olhar o céu o mar
e sair por aí a consertar
destinos

viver
ou plantar uvas
sons e dias
noites horas
que se vão

viver
ou disfarçar
o próprio sofrimento
sem daí não ter nada
a tirar

viver
somar
levantar a testa
o rosto a cabeça
dar a volta em si
e no ar

porque custa sim
tentar

[mas é a única aposta]




Eliana Mora, 01/02/2018

segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

Sufoco elementar


Sufoco elementar



Algo na garganta
quase a afogar

não vem respiração 
não completa
não irriga

[tudo vira sertão]





Eliana Mora, 28/01/2018