sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Quase tecnologia


Quase tecnologia



Onde nos levam os caminhos
os trilhos
os fios
[eu e os teares]

Apenas não sei...
se soubesse
criava um trem de lua especial
chegava primeiro

[depois da tarde cair]



Eliana Mora, 26/8/2016

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Um pensamento Insistente


Um pensamento insistente



Se você puder me ouvir
está na hora de dividir certas ideias

Um acorde na noite.
Todos os rumos parecem levar a um só 
pensamento

ramos de flor aparecem nos sonhos
e não se soltam
apenas crescem

Os rios passam
e esse pensamento continua a ser [quem sabe]

onda
ou vaga distante
a esperar um lugar vago
em teu coração

Ou  - quem vai saber -
no próximo filme



Eliana Mora, 22/08/2016
-- 

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Sempre o enigma


Sempre o enigma



À esquerda de quem vem
alguns faróis
à direita de quem vai
linda paisagem
e eu a me perguntar
qual o caminho
que poderá trazer vida
lançar redes no destino
anunciar [em som calado]
alguma outra volta
ou outra ida
que possa desvendar o sul
da estrada

Quase sempre
ao perguntar-me isso
fico sem saída

[e mais nada]




Eliana Mora, 10/8/2016

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Em/canto desconhecido


Em/canto desconhecido




Ali
onde nenhum barco chegou
nem delírio nenhum ousou olhar
estou eu
a imaginar
quantos reféns de mim irei conter
[ou fabricar]
para - ainda que com dificuldade -
alcançar céus menos inchados de chuvas
escondidas
e poder
por pequenos quase instantes
sonhar




Eliana Mora, 08/8/2016

domingo, 7 de agosto de 2016

De ventos, curvas e Revoadas


De ventos, cercas e Revoadas



Agreste
meu leste passarinho
me invade

como a tomar-me
lenta
quente
inexorável [mente]

Terra implacável
insone 
dolorida


deserta de choro 
e de vida

contudo
ainda a me cercar
a rodar 

e a dançar

[em mim]



Eliana Mora, 07/8/2016

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Já nos atinge o tempo dos sensores

Já nos atinge o tempo dos sensores



Um grito sussurrado cresce
na casa vazia

braços esbarram um no outro
sem se aperceber
a escuridão interroga
mas não ouve resposta
os choques são mais fortes
os poros
[antes sensíveis]
estão endurecidos
não percebem mais as sensações.

Não
não é cena de filme de ficção:
mas o retrato possível de um ser

do nosso tempo



Eliana Mora, 05/07/2012


terça-feira, 2 de agosto de 2016

Uma explicação sutil


Uma explicação sutil



Sórdida ternura.

Existe isso?
Existe sim.

Aquela que brota em ti
em momentos e lugares mais sem vida
sem beleza
sem forças da Natureza

e teu coração consegue
enfim

falar




Eliana Mora, sem data

sábado, 30 de julho de 2016

Simples descrição


Simples descrição



No leito do destino
folhas
pedras
embarcações
pontos no céu a refletir medos
e canções

e eu aqui
ora séria
ora a sorrir

[dos jogos febris da vida]




Eliana Mora, 30/7/2016

quinta-feira, 28 de julho de 2016

Terceira Visão


Terceira Visão


Descobri
que o infinito
onde repousam todos os mistérios e oásis
tem filial

[teus olhos]


Eliana Mora, 07/11/2006
[Baú] Art_RenéMagritte

quarta-feira, 27 de julho de 2016

Apenas mais uma tentativa


Apenas mais uma tentativa



E se eu pudesse chegar ali 

como qualquer pessoa
e gritar, gesticular
como se fosse dar alguma notícia
um pouco nova
ou com qualquer coisa de nova
eu diria:
o ser humano está de novo a renascer
mas de outra forma
com outra estética

e funcionamento

Novos programas estão sendo testados
em tipos novos 
de tecnologia

Sim! O ser humano está sendo
modificado!

Na verdade
nem eu mesma sei como reagiria
creio que eu mesma - 
apenas -

me perguntaria: 

ainda resta 
como ter alguma esperança?



Eliana Mora, 11/julho/2016

sexta-feira, 22 de julho de 2016

Es-cravos e rosas


Es-cravos e rosas



A lira não tocou.

Reinventei a minha dor
e dos pedaços de uma história
de outro tempo
ensaiei um pequeno concerto barroco
para falar em versos
desta vez
das pétalas e grãos
do sal de uma vida
que a cada dia perco

[e recupero]

  


Eliana Mora, 31/07/2014

domingo, 17 de julho de 2016

R e s u m o


Resumo



Sangue
espalhado na terra do meu peito.

Assim está o mapa
do meu 


coração



Eliana Mora, 17/07/2016

quinta-feira, 14 de julho de 2016

Aqui estou, amigo Silêncio


Aqui estou, amigo Silêncio



Sou amiga dos sons
mas muito
muito amante
do silêncio

com ele desenho belíssimas
fontes
e consigo ler todos os tons
de minha mente

[sim, como é necessário sentir]



Eliana Mora, 14/07/2106
[homenagem à música "Sounds of Silence"]