segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Um misto de desejo e adaptação


Um misto de desejo e adaptação


Abrir a boca
sonhar mentiras
sim
dizer
sem muito corrigir
aquilo que passa na cabeça

sentimento
con sen ti men to

Como separar uma coisa da outra?
como evitar essa união
de pertenceres
sen tir
con sen tir ?

Alcançar
desprogramar a emoção

repetir para si mesmo a intenção
de tudo conseguir


dentro de um primeiro objetivo:

viver 

em paz



Eliana Mora, 23/9/2016

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Ele tinha a Força


Ele tinha a força



O diário de uma vida
pode transformar-se num best-seller
que não pára de vender

e seu autor
[curioso]



apenas viveu 




Eliana Mora, 9/01/2005

[Baú]

terça-feira, 20 de setembro de 2016

Conto Resumido


Conto resumido



Em minhas mãos
o tempo se encolhe
recolhe algumas folhas ao vento
cada uma de uma cor

e se esconde
[para manter o segredo]



Eliana Mora, 19/9/2016

sábado, 17 de setembro de 2016

Pingos de um pensamento


Pingos de um pensamento 




No calor de uma noite
o habitante dos sonhos
surge 

meio assim às escondidas

E me penduro aqui
nas névoas e aventuras de uma vida
a perceber que 

de uma forma ou de outra
para sempre ficariam
as mesmas dúvidas


e que eu ainda seria uma estrela da noite
[um dia]

a perguntar
[porquê]




Eliana Mora, 16/09/2016

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Pequena ode à dor de uma Verdade


Pequena ode à dor de uma Verdade



limpa
como que lustrada
a arrepiar o tempo
ela paira
sobre tudo

escura e clara
aberta
trancada


ali sempre estará
o  verdadeiro medo

[de nós mesmos]




Eliana Mora, 09/09/2016

quarta-feira, 7 de setembro de 2016

Como se fosse,.,.,.,.,.


Como se fosse,.,.,.,.,




Ali
numa casa que não tinha nada
o amor - por vezes - pedia para entrar

Ela não podia abrir a porta
para estranhos

mas 

deixava o coração falar




Eliana Mora, 07/9/2016

sábado, 3 de setembro de 2016

Querido Diário


Querido diário


A face
sombria
as veias
vazias
jamais vão negar


lembranças de um dia
de fartos rubores
vadios rancores
das lutas secretas


na festa
de amores



Eliana Mora, 01/9/2016

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Quase tecnologia


Quase tecnologia



Onde nos levam os caminhos
os trilhos
os fios
[eu e os teares]

Apenas não sei...
se soubesse
criava um trem de lua especial
chegava primeiro

[depois da tarde cair]



Eliana Mora, 26/8/2016

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Um pensamento Insistente


Um pensamento insistente



Se você puder me ouvir
está na hora de dividir certas ideias

Um acorde na noite.
Todos os rumos parecem levar a um só 
pensamento

ramos de flor aparecem nos sonhos
e não se soltam
apenas crescem

Os rios passam
e esse pensamento continua a ser [quem sabe]

onda
ou vaga distante
a esperar um lugar vago
em teu coração

Ou  - quem vai saber -
no próximo filme



Eliana Mora, 22/08/2016
-- 

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Sempre o enigma


Sempre o enigma



À esquerda de quem vem
alguns faróis
à direita de quem vai
linda paisagem
e eu a me perguntar
qual o caminho
que poderá trazer vida
lançar redes no destino
anunciar [em som calado]
alguma outra volta
ou outra ida
que possa desvendar o sul
da estrada

Quase sempre
ao perguntar-me isso
fico sem saída

[e mais nada]




Eliana Mora, 10/8/2016

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Em/canto desconhecido


Em/canto desconhecido




Ali
onde nenhum barco chegou
nem delírio nenhum ousou olhar
estou eu
a imaginar
quantos reféns de mim irei conter
[ou fabricar]
para - ainda que com dificuldade -
alcançar céus menos inchados de chuvas
escondidas
e poder
por pequenos quase instantes
sonhar




Eliana Mora, 08/8/2016

domingo, 7 de agosto de 2016

De ventos, curvas e Revoadas


De ventos, cercas e Revoadas



Agreste
meu leste passarinho
me invade

como a tomar-me
lenta
quente
inexorável [mente]

Terra implacável
insone 
dolorida


deserta de choro 
e de vida

contudo
ainda a me cercar
a rodar 

e a dançar

[em mim]



Eliana Mora, 07/8/2016

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Já nos atinge o tempo dos sensores

Já nos atinge o tempo dos sensores



Um grito sussurrado cresce
na casa vazia

braços esbarram um no outro
sem se aperceber
a escuridão interroga
mas não ouve resposta
os choques são mais fortes
os poros
[antes sensíveis]
estão endurecidos
não percebem mais as sensações.

Não
não é cena de filme de ficção:
mas o retrato possível de um ser

do nosso tempo



Eliana Mora, 05/07/2012