20 Novembro 2009

Um colar de Pérolas


Um colar de pérolas



Em cada conta
a lágrima moldada.
[da ostra, ou de mim?



Eliana Mora, 21/10/2009

17 Novembro 2009

De Longe



D e L o n g e



Veias são raízes,
cordas invisíveis:
prisões_de amor.



Eliana Mora, 15/11/2009

10 Novembro 2009

O que me cabe


O que me cabe



Cabe-me bem o sim

o 'm' a escorrer nos traçados do meu corpo
com seus tentáculos de larga envergadura
ou a prender
como em antigas armaduras
os movimentos de maneira etérea, majestosa
a tilintar como solfejo breve
[som antigo

algo de amor
na textura da pele




Eliana Mora, 03/10/2009

08 Novembro 2009

Casa de Taipa: Kyrie - Paulo de Carvalho

Casa de Taipa: Kyrie - Paulo de Carvalho

04 Novembro 2009

De repente


De repente



pálpebras fechadas,
sonho convertido:
teu gosto_na boca.



Eliana Mora, 03/11/2009

03 Novembro 2009

De como a vida pode durar um só instante


De como a vida pode durar um só instante



olhei-me ali no espelho
e de repente tu ganhaste forma
desenhado nas pupilas dos meus olhos
homem dos olhos cor de água exatamente como conheci
e aquela conta do meu brinco transformou-se em gota
transparente
esverdeada
como que esculpida em algum material macio e resistente
sem ter jamais sofrido alguma mutação
e vi-me ali
apenas por alguns segundos
a imaginar um tema que tocasse
enquanto nas pupilas dos teus olhos fazíamos amor
mas não se ouvia nada
como se o centro cerebral que dá prazer ou dor se desligasse
e tudo
todo aquele ardor se transformasse
em coma




©Eliana Mora, sem data
série “Dedicadas”

27 Outubro 2009

A D A G I O


A D A G I O



O canto dos cisnes
nos lagos do mundo.
[pas-de-deux, pas]



Eliana Mora, 21/10/2009

23 Outubro 2009

Uma vida vale muito mais


Uma vida vale muito mais



uma vida não se dilui após sua passagem

fica para sempre
nos autos nos registros
de muitas e várias memórias em que permanece
porque ali deitou seus olhos
ali sentiu que era árvore
e conheceu os mistérios de criar

ali sim
ficam as recordações
nas árvores que crescem à sua volta
nas rimas e enredos de sua poesia
no trânsito cotidiano de suas palavras

ali
estóicas
ficam as bravas criaturas
que por amor a ela entenderam tudo

nela
puderam encontrar o canto definitivo
de uma alma que [cativa]
cativou
impressionou
até contrariou

e que não mais conhece o peso
do destino

[nem sabe mais o preço que pagou




©Eliana Mora, setembro/2009

21 Outubro 2009


Nasce


que a madrugada é feita para ti
e a canção do meio das estradas
te reconhece
e vibra
nas fibras

de nós



Eliana Mora, 19/out/2009
Para Vinicius de Moraes

20 Outubro 2009


Direito à Propriedade



Todas as terras prometidas eram teu lugar
protegidas pela lei dos homens
engendradas nos tendões doídos de um amor nascente
reescritas aos pedaços em dias frios e noites penduradas
insistentes

tu nem reparaste que estavam a te esperar
_papel passado.


Faltou tomar posse.



©Eliana Mora, fevereiro/2008

17 Outubro 2009




Silêncio
 
 
 
cinzas e lágrimas;
memória brinca de lembrar
[qual vidro na chuva, embaça.
 
 
 
Eliana Mora, 17/10/2009
Para Helio Oiticica

13 Outubro 2009

Como é bom saber trocar de Instrumento




A velha harpa
luta para desfazer-se de amareladas pautas
para beijar o novo
o improviso

sons
que possam espalhar-se pelos ares
sem que a seu peso tenham sempre mais
que se render

não mais se ater
a dedilhar aquelas formas abstratas


como se fossem tótens




Eliana Mora, dois de março/2006

06 Outubro 2009

Mais uma manhã de Outubro



Cubro-me de outubro

pela janela observo o tempo
estacionado
um arrepio trespassa-me as costas
sirvo-me de vinho rubro
e choro

choro por ti ó vida que me cobre
eu que já me vi muito mais nobre
apenas guardo hoje
os restos de um amor
que se resume

em ais





Eliana Mora, 22/10/2006
Da série "Dedicadas"