quarta-feira, 26 de julho de 2017

A massa de moldar [do Mundo]


A massa de moldar [do Mundo] 



A marca de todos os dedos
fica em mim
como se fosse a massa de moldar 

do mundo

poderia empurrar o mal
para outro lado
limpar o corpo daquelas manchas
roxas
verdes ou azuis

a marca
os dedos pesados

o chão escravo
a via torta de acesso

a ilusão

A marca de todos os dedos
no vão livre
esmaga 

com pés insensatos
a multidão
ou

[os que não podem mais (r)
existir]




Eliana Mora, 22/07/2017

segunda-feira, 24 de julho de 2017

Sempre há quem resista


Sempre há quem resista



Sim
você pode matar muitos
exterminar o mundo
toda a vida ao seu redor
mas o que não pode mesmo
é acabar com aquela flor
a que nasce no fundo do peito
que resiste
e que clama pela vida

Sim
você pode 'matar a morte'
como quis Romain Rolland
porque ela, a vida  

precisa continuar a se abrir
a tudo que não é vão

a todos os sonhos de amor

de beleza

e de perdão



Eliana Mora, 21/07/2017

sexta-feira, 21 de julho de 2017

Uma liga muito pessoal


Uma liga muito pessoal



A liga que se forma
aos poucos
dentro de nós
vem de outros antigos metais
junta-se ao nosso sangue
e à luz de muitas emoções
modifica-se
adorna nossos sonhos
vê a vida em prismas
e marcas escondidas

A liga que nos forma
é muito antiga
mas cada um de nós
[mestre em transformações]
altera pouco a pouco
seu modelo
para que sempre sempre

possa definir-se 
mais

possa brilhar 

melhor



Eliana Mora, 15/7/2017

quarta-feira, 19 de julho de 2017

Caminhos


Caminhos




Em frente
um mar que não se vê
do lado
muitos horizontes
e a pele a dizer palavras
desconexas
recordam estradas
caminhos 

lugares
por onde passei
e por onde partículas de mim
se espalharam
assim
a me deixar meio completa
meio costurada


Não.
isso não se vê


Isso
só se pode 


sentir


Eliana Mora, 18/07/2017

sexta-feira, 14 de julho de 2017

Maneira qualquer de te querer


Maneira qualquer de te querer



Verde
Que te quero assim
sem cor qualquer
debruçado
espalhado pelo chão

Verde
Que quero azul
ou de qualquer maneira
guardado aqui
tatuado
no meu coração

Verde
Que te quero lua
em meus pensamentos a bailar
como se eu
te estivesse a recitar

Ver-te!
Que somente quero poder
te sentir

[e recordar]




Eliana Mora, 13/07/2017

quarta-feira, 12 de julho de 2017

Face a Face


Face a Face



Num cenário de cidade
ou em qualquer outro lugar
tudo pode acontecer

o que pode interferir num
[e no outro]
é sua natureza peculiar

qualquer coisa pode estar ali
placidamente

deitada 

sobre um vulcão



Eliana Mora, 12/07/2017

segunda-feira, 10 de julho de 2017

Conversa silenciosa


Conversa silenciosa



De tanto ouvir
as letras os sons 

as palavras
em voz rouca ou muito alta
estranha  dissonante
temperada
de tanto separar ou tentar separar
as coisas em pensamentos
departamentos
compartimentos
de tanto lutar para entender
chega aquele momento
em que desistir não é entregar pontos
é apenas olhar 

ou tentar olhar tudo
de maneira assim distante
ao longo ao largo
sem pontes nem umbrais
enxergar o que está por dentro
deter-se nos ombros enormes

de todos os sentires



Eliana Mora, 10/07/2017

sexta-feira, 7 de julho de 2017

Transmutando


Transmutando



Para o espaço desejado
do sim e do quase tudo
a gente vê o que sente
faz a lua virar marte
transforma a morte em vida
faz o sol mudar de dono

e repara 

que o espesso véu de um Nada
esconde tanta


mas tanta beleza



Eliana Mora, sem data

sexta-feira, 30 de junho de 2017

Varinha de Condão


Varinha de condão



Escondo-me ali
e o desejo de estar atenta a tudo
de repente - passa
some
feito fumaça


e me vejo com a mente liberta
a voar
e desejar 

talvez tudo o que sobra pra pensar
nos momentos 

em que tocam sinos

e assim
sem ver mais nada
perguntar 

como pode um ser humano ser 
em sua essência

Hora de sentir 


[e de pensar]


Eliana Mora, 23/06/2017

quarta-feira, 28 de junho de 2017

Por um instante, ainda


Por um instante, ainda


Se a vida parar
se a tela do mundo escurecer
se o brilho do asteroide ainda conseguir nos alcançar
pronta estarei para tudo
que pode ser um nada
o vazio de um amor que não pode esperar


não importa o som dos pássaros
o alarido de algum nada a me chamar
estarei disposta
recosta aqui sonho meu
abre todas as comportas
pensa que existo
com isto me leva onde quiseres

se pensas que sou eu - ainda
se reflito a cor do pensamento teu
retira-me do ponto de partida
anula-me num todo inconsequente
e pula-me a brincar de vida
porque ela é sim
a dona disso tudo

enquanto minha dor resplandecer
num tolo e mágico segundo
atira-me a ti 

[que - juro - não resistirei]


Eliana Mora, 30/03/2013 

[Baú]

terça-feira, 27 de junho de 2017

O que se percebe e sente


O que se percebe e sente



De ponta a ponto
pronta estou
sem pranto a oferecer
a nenhum desconhecido

A vida não chora
ela sorri

Os atores é que não sabem
evitar

destroçar-se




Eliana Mora, 26/06/2017

terça-feira, 20 de junho de 2017

Todos em Uníssono


Todos em uníssono



o mito
o futuro do apenas instinto animal
pode ficar em nós
e então
como me vejo adiante
tenho de pensar
como é que alguém pode se salvar
de obedecer a apenas seus
instintos

[e ao código lunar?]




Eliana Mora, 20/06/2017

segunda-feira, 19 de junho de 2017

Coração que tenta, tenta


Coração que tenta, tenta



As fontes em que me banho
hoje são desencontradas
me acalmam
me arrastam ao abismo
me afogam
no que penso que sou

mas poderia eu
[me pergunto]
estar tão dividida
se o coração estivesse inteiro
e não assim


tão doído?




Eliana Mora, 19/6/2017