quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Acalanto aos pensamentos de um Final

Acalanto aos pensamentos de um final




Assim como uma luz
meio sem forma
está entrando em limiares de colunas  cheias
salinas e desconcertantes
tu apareces
como se dali de onde cuspido foste
mensagem te viesse
de que nada poderias fazer para voltar

 
e rugas aparentas ter
como se de pele antiga fosse composta tua face
para que em processo
rápido, audaz, quase um milagre
lisa em pouco tempo ela acabasse
por ficar

[como se a própria Vida num palco se esticasse]

e assim começa a esquisita caminhada
para o fim
e ainda que não possas enxergar em meio às névoas
elas se dissiparão
e tu alcançarás  com certa nitidez
uma das verdades que em ti vão esbarrar


E um dia
passando pelos dramas da tristeza
em meio ao burburinho de perder-te
ao aninhar-se como fosse ainda aquele feto
em rima que não rende
perceberás
que nada além de um regresso estás vivendo


que tudo apenas começa a retornar
e ao se transformar de novo na criança
em busca do calor e da umidade
já tens de novo rugas
mais idade
pêlos brancos num corpo bem franzino
que repousará em seu lugar
de vinda e de destino

e saberás então
que era esse movimento
muito mais simples mesmo do que pregam

o arco emboscado desta Vida




© Eliana Mora, 23 de junho de 2000

2 comentários:

  1. É tão belo este poema El. tão belo. Sabes que o tenho no projeto e já o li várias vezes e continuo a ler...
    beijo amiga linda.

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  2. Sei, Ana querida. Um cálice de rosas no meu dia, ela - a poesia.

    beijos,

    El

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Minha poesia agradece.