
Não há como voltar
pode ser até brutal ter uma forma de esperança
um plano in extremis de voltar
no peito a pré-semente de um solo meio gasto
fibras
átomos famintos de água doce
ou muito mar
não sabes nada
sequer sabes mais amar
e a loucura dança livre nos teus sonhos
olhares fixos
boca seca
sangue em muitos panos
vens de uma terra onde nada mesmo dá
um passo a mais
e já serias mais um deus na eternidade
o lacre do teu ser se partiria
e tu
[possivelmente]
sequer sentirias
©Eliana Mora, maio/2009