
Kyrie
As vias do meu corpo
dutos esvaziados de emoção
choram
onde?
onde todos os anéis do meu saturno?
onde as reverências
referências às mais belas áre(i)as do meu corpo
onde a pátria de mim?
em que porto fui parar se ainda quero tanto
os dons da minha pena
quero dizer à minha alma plena
[muito cedo órfã dos abraços
que me sei
tanto sei
que aqui estou a ser poesia no pranto de Mozart
e em todos os que vêm do limo
[até do limbo
lugares onde brancos lírios muitas vezes
brotam
e saem
aos gritos de Kyrie
a negar piedade aos meus destroços
Vida
à vida de mim!
[seja assim]
Amém.
Eliana Mora, 20/02/2010
Série Dedicadas