segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

K y r i e


Kyrie



As vias do meu corpo
dutos esvaziados de emoção
choram

onde?
onde todos os anéis do meu saturno?
onde as reverências
referências às mais belas áre(i)as do meu corpo

onde a pátria de mim?
em que porto fui parar se ainda quero tanto
os dons da minha pena

quero dizer à minha alma plena
[muito cedo órfã dos abraços
que me sei

tanto sei
que aqui estou a ser poesia no pranto de Mozart
e em todos os que vêm do limo
[até do limbo
lugares onde brancos lírios muitas vezes
brotam

e saem
aos gritos de Kyrie
a negar piedade aos meus destroços

Vida
à vida de mim!
[seja assim]

Amém.



Eliana Mora, 20/02/2010

Série Dedicadas

10 comentários:

  1. [das trevas e cinza também se fabrica a luz do mundo; não é negra, a tinta que ilumina a letra?]

    um dez cem meus abraços, Eliana

    Leonardo B.

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  2. 'Um querer que não se ofusca
    É como segue o ente humano
    Que tudo quer e a tudo busca
    Na proporção de um oceano'


    Francisco de Sousa Vieira Filho

    ;)

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  3. e de tintas e de canções, de laços e ilusões, luz, treva

    beijo,
    Eliana

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  4. Obrigada, Fran, adorei te ver aqui
    beijo

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  5. Passando com meu Spirituals, Eliana

    "brancos lírios
    aos gritos de Kyrie
    a negar piedade
    aos meus destroços"

    é um dos trechos mais belos que já li em poesia. Tive um leve arrepio, coisa rara.
    bj e muito grata!

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  6. Uma honra para mim, e aqui
    o digo

    te abraço, Neuzza

    El

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Minha poesia agradece.