domingo, 20 de maio de 2012

Memórias, ausências e pincéis


Memórias, ausências e pincéis
 

seu vestido azul
era longo, largo
nele havia sutilezas
plumas de pavão
desenhos ton sur ton.
Estava escondida
respiração contida
vontades meio apaziguadas
silenciosas:
no fundo da tela seus olhos
deitados no rosto sincero
delicado.
O desejo bem poderia se esconder
por trás do seu vestido;
mas o pavão, suas plumas,
lhe davam ares muito fortes
- de vaidade.
E o que mostrava o seu corpo delicado
era uma certa agonia:
muito, mas muito maior
do que uma velha, tradicional
ansiedade. 

Eliana Mora, 30/4/2012

2 comentários:

  1. [faz de volume a forma, e na palavra

    refaz-se vida, como uma pele
    sobre a pele da palavra.]

    um imenso abraço, Eliana

    Leonardo B.

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    Respostas
    1. Querido Leonardo

      "refaz-se vida" ao criar algo que provoca a sensação quase tátil, e interna -, sem nenhuma dúvida.

      E a ti, mais uma vez agradeço as belas palavras,

      beijo, El

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Minha poesia agradece.