quarta-feira, 12 de setembro de 2012

C â n t i c o


Cântico
 
 
Depois da perplexidade
do vazio
do cansaço
surge uma certa inocência
de que amanhã
tão logo amanheça
possa eu abrir os olhos
e permitir
que a Primavera me preencha
 
E que a luz embaçada
que se gruda às minhas córneas
fique translúcida
clara
e eu possa voltar a enxergar
 
Sou uma alma sentida
sou uma flor
 
[e isso é Vida]
 
 
 
Eliana Mora, 08 de novembro de 1998
In: Mar e Jardim

4 comentários:

  1. Depois do vazio cansado da vida, a esperança de vida...
    É, a sensibilidade tem seu lado maravilhoso, mas às vezes se torna um peso tão enorme.

    Uma flor azul para você, minha querida

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  2. Mas por outro lado, a pessoa que a tem possui o privilégio de 'sentir' - e não há como dizer como a Vida seria sem isso...

    Obrigado, outra para ti.

    El

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  3. Entre o desespero e um pouco de alegria que pode vir no outro dia... Por vezes, a alegria que espero também vira desespero... Então vira um desespero só todos os olhares e desejos... Mas eu não aprendo nem quero aprender a falta de sonho, de desejo sutil, da sensibilidade, da poesia, da flor enquanto soma da vida...

    Um belo/belo poema, El... Dá uma vontade de sondar nosso interior e a fim de verificar se o que era ainda resiste... E se é Vida ou o Nada...

    Inté, Bj...

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    Respostas

    1. A vida, até a chama se apagar. AInda assim 'algo' estará por aí...quem sabe a flutuar...

      beijos,obrigada pelas belas palavras.

      El

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Minha poesia agradece.