sábado, 29 de maio de 2010

Quase um branco de céu


Quase um branco de céu




Quase nenhuma flor nos arredores do olhar
de repente
um céu com a brancura de um completo, inteiro e solitário
pedaço de papel
sem dobras nem letras
sem marcas de tempo
ou algo assim que o caracterizasse

apenas um céu perdido ali
em fatias
entre nuvens que se acharam
se juntaram
e explodiram em copiosa chuva

um céu de Saramago: branco,
a nos cegar de tristeza.



Eliana Mora, 10/05/2010

8 comentários:

  1. Uma triste constatação: de tanto vermos sem de fato enxergarmos, que termina assim por sermos uma terra de cegos, em que o mais próximo de nós está intacto, sem olho nenhum a perfurar-lhe.
    A ausência desse zelo é muito bem retratada por Saramago; reforçada por tua poesia e olhar.

    Estou pois de olhar sobre tuas linhas.
    Disposto a somar poesia e caminhos.

    Abraço.
    Ricardo.

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  2. Gostei.
    Bela alusão ao céu de Saramago que tudo transforma numa imensa "escuridão" branca. Tal como um manto de neve, tudo oculta...a miséria e a nobreza, a felicidade e a tristeza. A cor da Vida!

    Abraço

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  3. Caro Ricardo

    Minhas linhas ao serem lidas já não são somente minhas. Assim, por certo, caminhos e poesia serão 'trocados'.

    Muito grata e abraços.
    Eliana

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  4. Amigo da lente: sem dúvida, um 'manto' que se espraia e pode, depois de ocultar tudo, abrir numa claridade infinita.

    Bom ver-te por aqui
    beijo,
    El

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  5. "dói e cega", sim
    a beleza pode tudo, guarda nela todo o dom de seu oposto: jamais cantado em versos...

    beijo,
    El

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  6. Aliás lindos espaços...

    Parabéns!

    abraço

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  7. juan, obrigada pela tua 'caminhada' até aqui!


    beijão
    El

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Minha poesia agradece.